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"Eu sou porque nós somos"

O CEO da Mandacaru Energia, Caetano Machado, detalha operações e investimentos da empresa

Por Rosely Maximo

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Engenheiro de petróleo formado na primeira turma de petróleo da UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense, em 1997, Caetano Machado costumava brincar na época com seu colega e hoje um dos sócios no grupo Ubuntu, Leonardo de Souza: "Um dia eu vou ter um poço de petróleo! Não vamos trabalhar no poço dos outros, né?”. Em 2016, depois de atuarem na África, eles montaram a Ubuntu, batizada assim com um nome africano que significa "Eu sou porque nós somos”. A empresa de consultoria se desenvolveu e, ainda em 2016, se habilitou e conquistou dois ativos na Bacia Potiguar - Urutau e Rio Mariricu - na 4ª rodadinha da ANP. Nessa entrevista, concedida à Brasil Energia durante a Vitoria Petroshow, Caetano conta um pouco de como essa história se desdobrou até hoje e o que o Grupo Ubuntu (sim, hoje um grupo de empresas) mira como futuro.

Os primeiros ativos...

Urutau e Rio Mariricu eram ativos que não tinham licença ambiental, nem estrada, ativos que a cabeça do poço não tinha controle e que não tinham energia elétrica, que não produziam há muitos anos ou nunca produziram. Começamos do zero. Fizemos a engenharia de petróleo raiz, em campo maduro e marginal. Eu e o Leonardo nos juntamos a mais dois sócios, o César Pinheiro e o Peter Jackson, cada um vendeu o que tinha, eu vendi uma casa, outro vendeu um apartamento, outro vendeu uma casa em Houston, e fomos tocar a companhia.

...e as primeiras diversificações

Nós percebemos nesse meio do caminho que, para operar campo maduro no Brasil, a gente precisava ter equipamentos de serviço, precisava ter a sonda para entrar com os equipamentos, para mudar método de elevação, para escolher uma zona nova. Então a gente montou a SPB (Serviço de Petróleo Brasileiro). E logo depois a gente viu que precisava ter uma empresa de E&P, a Mandacaru Energia (2005). Hoje a Mandacaru opera uma produção de 400 e poucos barris de petróleo, produz gás em Sergipe no campo de Dó-Ré-Mi e petróleo no campo de Cardeal e Colibri (RN) e no campo de Rio Mariricu (ES) e tem blocos exploratórios na bacia do Paraná.

O que fazer com a água?

Nós focamos na produção de petróleo, com ESG forte. Isso é muito legal, porque pra gente produzir 400 barris de petróleo, produzimos 6.000 barris de fluido total, ou seja, 5.500 barris são de água. A gente trata a água, limpa a água e classifica a água para ser recebida no meio ambiente, dentro das normas. Parte dessa água reinjetamos no reservatório e metade serve como irrigação de mata nativa. Agora também temos projetos de biomassa com a Universidade do Semi-árido (Ufersa), em Mossoró, projetos com eucalipto, com mamona e cártamo, para gerar biodiesel. Estamos projetando gerar riqueza para a região, usando essa água não só para irrigação de mata nativa, mas também para geração de riqueza de biomassa. E aí sim fazer compensação de carbono, chegar ao primeiro campo maduro net zero.

Royalties para os proprietários de terra

Quando nós compramos o ativo de Cardeal e Colibri, a antiga operadora que nos vendeu não fazia o pagamento dos royalties direto aos proprietários de terra que não tinham toda a documentação. Nós procuramos quem não tinha as licenças e paramos de pagar em juízo. Resolvemos o problema com nossos advogados e hoje todo mundo tem documento e dos 200 proprietários, 199 hoje recebem os royalties em dia. A gente entende que a transformação social do petróleo em terra é ali, na veia, no momento. A gente acredita nessa história do social e por isso que é Ubuntu, eu sou porque nós somos.

Investida em CCS

Nossa outra empresa, a Manacá, foi encubada e hoje estamos simulando o armazenamento definitivo. Capturar o CO2 não é a parte mais difícil, mas a parte mais simples do processo. Agora, fazer o armazenamento, estudar a geologia de onde se pode colocar, como monitorar o comportamento do CO2, como irão ocorrer as interações químicas e geológicas lá embaixo, é o que estamos fazendo hoje. Já estamos fechando a parceria para venda de créditos de carbono e iniciando o licenciamento de poços na bacia do Paraná, no estado de São Paulo. Nos próximos meses vamos ter anúncios mais importantes e possivelmente no final do próximo ano ou pro início de 2026 vamos perfurar o primeiro poço na bacia do Paraná para fazer essa injeção.

Nós adquirimos o bloco na bacia do Paraná para produção de gás, mas tem um potencial enorme para armazenamento de CO2. Eu tenho compromisso com a ANP de perfurar poços para gás, mas a ANP conhece o meu projeto de CO2. A gente quer aproveitar essa perfuração para fazer uma avaliação ou uma testemunhagem mais longa, fazer interação geoquímica. Se não tiver gás, eventualmente podemos injetar CO2.

Fora da Oferta Permanente

Nós nos inscrevemos na Oferta Permanente, mas não fizemos oferta. Nós montamos uma empresa de petróleo, sem investidor. Então, tem que ir no mais certo. E o mais certo é produzirem campo maduro, com fluxo de caixa. Nós produzimos petróleo e nunca perfilamos um poço, em uma companhia que tem seis ou sete anos produzindo. Não que eu não tenha poços para perfurar, eu tenho poços pra perfurar, poços de desenvolvimento da produção, poços dentro dos campos que já existem, temos até poço exploratório em campo marginal em zonas que nunca produziram. Mas eu prefiro hoje investir em movimentos de elevação e separações de superfície e montar uma planta de tratamento de água, para tratamento de óleo, secagem de óleo. Pra gente, é mais importante hoje focar na produção de campos maduros. Somos uma empresa de E&P, com um E pequenininho e um P grande, mas vamos fazer essa mudança

Quando nós pegamos o campo de Cardeal e Colibri, o ativo produzia 155 barris e chegou a produzir 400 barris. Hoje produz 350 e não perfilamos nem um poço, apenas entramos, estimulamos, trocamos bomba, mudamos zona de produção, abrimos novas zonas, ou seja, fizemos engenharia de petróleo, que é a especialidade do Leonardo e a gente executa. Nós focamos no aumento de produção sem perfurar um poço e mais do que dobramos a produção.

E o futuro?

Estamos procurando novos ativos, novas oportunidades além dos ativos que temos. Nossa especialidade é resolver problema, um campo que produz muita água e pouco óleo, ou que não tinha método de elevação...o poço dos cinco barris ou de 10 barris nos interessa. Cinco barris é um poço, pra gente, economicamente viável. Estamos negociando algumas oportunidades e esperamos em breve poder aumentar o portfólio.

Assista a vídeo-entrevista completa:

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