EPE quer desenvolver projetos-piloto de hidrelétricas reversíveis
Empresa de planejamento quer debater com a ANA e o Ibama arcabouço legal que traga segurança para investimentos em UHRs
O presidente da EPE, Thiago Prado, disse nessa quarta-feira (17), durante painel no Enase 2026, que a empresa está montando um plano de trabalho para viabilizar a construção de usinas hidrelétricas reversíveis (UHRs) no Brasil, conforme determinado pela Resolução nº 8/2026 do CNPE. A ideia central é desenvolver projetos-piloto, abertos ao mercado, para, em cima deles, debater com a ANA e os órgãos ambientais as alternativas que abram o arcabouço legal para que a iniciativa privada possa desenvolver seus projetos “com mais fluidez e menos risco”.
Ao mesmo tempo, segundo Prado, a empresa federal de planejamento está apoiando o MME na montagem do desenho da contratação dessas usinas, rebatizadas como Sistemas de Armazenamento Hidráulico (SAHs). Ele ressaltou que a entrega de flexibilidade e de outros serviços ancilares, características desses sistemas, vai ajudar na precificação dessas plantas.
Outra iniciativa da EPE, de acordo com seu presidente, será a melhoria da modelagem das reversíveis dentro dos planos decenais (PDEs) que a entidade atualiza anualmente. Prado ressaltou que, até agora, a modelagem dessa tecnologia de armazenamento hidráulico vem sendo tratada muito perto da adotada para baterias, lembrando que, “embora prestem o mesmo serviço, são coisas muito diferentes”.
Parâmetros de aversão ao risco
No mesmo evento, o secretário-executivo do MME, Gustavo Ataíde, disse que a decisão do CMSE de manter para 2027 os mesmos parâmetros de aversão a risco do SIN, mais conhecidos como CVaR e expressos na fórmula 15/40, foi “coerente com as atuais circunstâncias do Sistema”, ressaltando que foi uma decisão unânime e “aderente com a atual percepção de risco do colegiado”.
A decisão recebeu pesadas críticas de comercializadores e grandes consumidores, que queriam uma fórmula menos conservadora. Ataíde ressaltou os desafios apontados pelo ONS, principalmente no que trata dos critérios de potência, e destacou também que o SIN está às portas de vivenciar um fenômeno que tende a trazer “grande repercussão”, que é a volta de El Niño.
Mas, segundo ele, o principal recado dado não foi no sentido da acomodação, na medida em que o colegiado recomendou a elaboração de estudos para a melhoria dos modelos de forma estrutural. A recomendação, de acordo com o secretário, “reconhece que a atual cadeia de modelos eletroenergéticos chegou ao seu limite”.
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