Reservatórios estratégicos do SE/CO ganharam volume na seca
Retrato é especialmente favorável quando se projeta para o segundo semestre um super El Niño com pouca chuva e muito calor, exceto no Sul
Os principais reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) – Furnas, Nova Ponte, Emborcação e Itumbiara –, reguladores das cascatas dos rios Grande e Paranaíba, formadores do rio Paraná, ganharam volume um mês e meio após o início do período seco.
O retorno das chuvas no subsistema Sul, recuperando seus reservatórios e reduzindo a necessidade de transferências de energia do SE/CO, a permanência de afluências relativamente altas para as UHEs a fio d’água da Amazônia, especialmente do rio Madeira, a hidrologia ainda favorável no próprio SE/CO e a estratégia de economizar água com o uso mais intensivo de termelétricas, representada pela bandeira amarela nos meses de maio e junho, estão entre as principais razões para a poupança verificada.
Furnas, o mais importante reservatório do SE/CO, estava com 63,06% de volume útil no dia 1º de maio, quando começou o período seco atual. Neste domingo, dia 14, estava com 65,75%. O SE/CO responde por 70% da capacidade de armazenamento do SE/CO e Furnas é responsável por 17,12% de toda a capacidade do subsistema, além de regular as afluências a oito importantes usinas a jusante da sua barragem e ser decisiva para toda a cascata do rio Paraná.
No rio Paranaíba, o reservatório de Nova Ponte estava com 50,15% no dia 1º de maio e com 51,86% nesse domingo. Emborcação e Itumbiara passaram, respectivamente, de 61,77% e 82,60% para 62,01% e 82,94% nos mesmos dias. Os três juntos respondem por 29,5% do armazenamento do SE/CO e exercem do lado oeste dos formadores da bacia do Paraná o mesmo papel exercido por Furnas no lado leste.
É sabido que os dois primeiros meses do período seco são de esforço para economizar água nos reservatórios, com a ajuda das usinas estruturantes da Amazônia – Santo Antônio, Jirau e Belo Monte –, para utilizar a partir de julho e, principalmente, de agosto, quando as estruturantes praticamente saem de circuito. Mas no mesmo período do ano passado Furnas perdeu quase 4 pontos percentuais (de 69,64% para 65,72), Nova Ponte e Emborcação ficaram estáveis e somente Itumbiara teve ganho de 1,69 ponto.
Este ano, com a perspectiva de um El Niño rigoroso, esse esforço exige mais intensidade, projetando um possível período úmido menos favorável em 2026/2027. Por enquanto, o quadro até certo ponto contraria as projeções.
No dia 1º de maio o armazenamento total no SE/CO era de 66,15% e ontem ele estava em 65,74%, sendo que a baixa residual vinha dos reservatórios de Serra da Mesa e Três Marias que, embora geograficamente localizados no SE/CO, seus armazenamentos na verdade regulam as cascatas do Norte e do Nordeste, respectivamente.
Na reunião do PMO da semana passada o ONS projetou para este mês afluências no SE/CO de 83% da MLT, com o armazenamento fechando o mês em 65,3%, uma perda residual em relação aos 66,15% de 1º de maio. No ano passado, a acumulação caiu de 70,27% em 01/05 para 66,48% em 30/06.
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