Hub logístico será decisivo para capturar investimentos do Seap
Eduardo Aragon afirma que bases de apoio em terra serão essenciais para atender Sergipe Águas Profundas, descomissionamento e futuras operações offshore
A implantação de uma estrutura logística em terra será um dos fatores determinantes para que Sergipe aproveite o ciclo de investimentos previsto com o projeto Sergipe Águas Profundas (Seap). Em entrevista à Brasil Energia, o CEO da BrainMarket Inteligência de Mercado, Eduardo Aragon, afirmou que o cronograma do projeto já entrou em uma fase decisiva e que a instalação de bases de apoio, infraestrutura portuária e áreas industriais precisa acompanhar o avanço das obras offshore.
Segundo Aragon, a contratação dos dois FPSOs do Seap marcou o início da fase de execução do projeto, que deverá movimentar atividades de instalação de sistemas submarinos, construção de dutos, operação das unidades de produção e, paralelamente, o mercado de descomissionamento das plataformas de águas rasas em Sergipe. Para ele, o estado precisa acelerar a implantação de hubs logísticos para evitar que parte dos investimentos e dos empregos seja direcionada para outras regiões.
Veja os principais destaques:
Contratação dos FPSOs inicia nova fase do Seap
Para Aragon, a assinatura dos contratos dos dois FPSOs representa o início da contagem para a implantação de Sergipe Águas Profundas. Segundo ele, os próximos quatro anos concentrarão uma série de contratos relacionados à instalação das unidades de produção, sistemas submarinos, embarcações de apoio e infraestrutura necessária para o desenvolvimento do projeto. Na avaliação do executivo, a etapa offshore exige planejamento simultâneo da estrutura em terra, responsável por atender toda a operação.
Apoio em terra será indispensável
A implantação do Seap demandará bases logísticas para atender diferentes etapas da cadeia offshore. Entre as atividades previstas estão o apoio às embarcações de instalação, armazenagem de tubos, suprimento de materiais, abastecimento, movimentação de cargas e atendimento às embarcações de apoio e aos FPSOs durante toda a vida útil do campo. Segundo Aragon, após a entrada em operação das unidades, a demanda por serviços logísticos continuará por aproximadamente três décadas, impulsionando atividades de manutenção, inspeção e operação.
Descomissionamento amplia demanda por infraestrutura
Além do Seap, o estado deverá atender às campanhas de descomissionamento das plataformas fixas localizadas em águas rasas. Aragon lembrou que 26 plataformas em frente ao litoral sergipano deverão passar pelas etapas de abandono de poços, desmontagem e retirada das estruturas, operações que exigem áreas de apoio em terra, equipamentos especializados e capacidade logística para movimentação das unidades. Na avaliação do executivo, a combinação entre novos projetos offshore e o descomissionamento reforça a necessidade de implantação de bases operacionais no estado.
Estado prepara áreas para receber empresas
O executivo destacou o trabalho realizado pelo governo de Sergipe para estruturar áreas destinadas às futuras operações logísticas. Entre elas está o Terminal Marítimo Inácio Barbosa (Temib), operado pela VLI, que possui retroárea disponível para instalação de empresas e passa por novos investimentos. Também existem outras áreas em avaliação para implantação de bases de apoio, além de antigos espaços industriais que poderão ser reativados após adequações ambientais e investimentos em infraestrutura.
Empresas avaliam investimentos
Segundo Aragon, empresas do setor já estudam a instalação de operações em Sergipe. Algumas companhias mantêm protocolos de intenção e analisam áreas para implantação de bases destinadas ao atendimento das atividades offshore. A expectativa é que definições mais concretas ocorram ainda este ano, acompanhando o cronograma do projeto Sergipe Águas Profundas.
Construção dos dutos avança
Aragon também destacou o andamento das obras relacionadas ao sistema de escoamento do gás natural. Segundo ele, o projeto já possui licenciamento ambiental, financiamento aprovado e processos licitatórios em andamento para contratação das obras submarinas e terrestres. Além da instalação dos gasodutos, permanecem em contratação os sistemas submarinos, árvores de natal molhadas, risers e demais equipamentos necessários para o desenvolvimento do campo.
Reciclagem deve impulsionar mercado de descomissionamento
Para Aragon, o maior mercado associado ao descomissionamento deverá surgir a partir da reciclagem de grandes unidades flutuantes, especialmente os FPSOs. Embora a retirada das plataformas fixas represente operações complexas de engenharia, o executivo avalia que o crescimento da frota de FPSOs no Brasil criará uma demanda crescente por desmontagem, descontaminação, reciclagem e reaproveitamento de materiais. Ele ressaltou que esse mercado ainda depende do avanço do marco regulatório brasileiro, mas deverá ganhar importância nos próximos anos, inclusive com a futura destinação de embarcações, estruturas offshore e outros ativos industriais que chegarão ao fim de sua vida útil.
Assista a entrevista na íntegra aqui.
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