Abpip vê Sergipe como epicentro da nova indústria do gás no Brasil
Presidente da Abpip afirma que estado se tornou referência nacional para o debate regulatório, atrai novos investimentos e reúne condições para transformar a oferta de gás em vetor de industrialização
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), Márcio Félix, afirmou que Sergipe se consolidou como o principal polo das discussões sobre o futuro da indústria brasileira de gás natural e vive uma transformação impulsionada pelos novos projetos de exploração offshore, pela ampliação da cadeia produtiva e pelo avanço da agenda regulatória.
Em entrevista à Brasil Energia, o executivo destacou que o estado reúne hoje as condições para se tornar um dos maiores centros de investimentos do setor, tanto na produção quanto na atração de empreendimentos industriais intensivos em gás.
Para Márcio Félix, Sergipe se reposiciona como centro de discussões nacionais sobre o mercado de gás natural, impulsionado pelo projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP) e pelas operações onshore e offshore.
Ele também detalhou a apresentação do Projeto de Lei 3652/2026, voltado para a regulamentação de campos maduros e criação da categoria de microcampos, a movimentação da cadeia de suprimentos para atividades de descomissionamento e os efeitos do pacto de harmonização regulatória firmado entre estados e a ANP.
Veja a seguir os principais destaques:
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Sergipe se torna a "meca do gás": Para Márcio Félix, a evolução do Sergipe Óleo e Gás acompanha a transformação do próprio estado no cenário energético nacional. Ele lembrou que a primeira edição do evento, em 2022, foi realizada em um espaço reduzido e destacou que, a cada ano, aumentam o número de participantes, expositores e, principalmente, a representatividade dos executivos e autoridades presentes. Na sua avaliação, Sergipe passou a concentrar as principais discussões do mercado de gás natural no país. "Aqui é gás e petróleo. Primeiro gás, depois petróleo", resumiu, ao afirmar que o estado se tornou referência nacional para o setor.
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Nova fronteira de produção e investimentos: O presidente da Abpip ressaltou que Sergipe deverá registrar um salto histórico na produção de petróleo com os projetos offshore em desenvolvimento, ao mesmo tempo em que se consolida como um dos principais polos do gás natural brasileiro. Ele observou que, paralelamente aos novos investimentos, o estado concentra hoje importantes atividades de descomissionamento de plataformas e mantém oportunidades para empresas independentes tanto na produção terrestre quanto na exploração de novos blocos. Segundo Félix, "o presente do Brasil está no futuro de Sergipe", numa referência ao conjunto de projetos que já estão contratados e começam a sair do papel.
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Mercado já atrai novos fornecedores: Na avaliação de Félix, os efeitos desse novo ciclo já podem ser percebidos na cadeia de fornecedores. Ele relatou ter encontrado, durante a viagem para Aracaju, representantes de empresas que visitavam Sergipe pela primeira vez para avaliar oportunidades de negócios e instalação de bases operacionais. Para ele, o estado já desperta uma corrida por posicionamento estratégico entre empresas interessadas em participar dos investimentos previstos para os próximos anos.
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Projeto para fortalecer campos maduros: Outro tema destacado foi o Projeto de Lei 3.652/2025, apresentado pelo senador Laércio Oliveira, que cria uma política específica para campos maduros, acumulações marginais e microcampos. Segundo Félix, a proposta busca oferecer maior flexibilidade para pequenos produtores e estimular investimentos em áreas de menor porte, inspirando-se em modelos já adotados em outros países, como os Estados Unidos.
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Pacto regulatório é avanço possível: Ao comentar a assinatura do pacto de harmonização regulatória entre o Ministério de Minas e Energia, a ANP e governos estaduais, Félix afirmou que a iniciativa representa o caminho viável para aproximar União e estados, já que mudanças constitucionais sobre a distribuição de gás seriam praticamente inviáveis. Na avaliação do dirigente, embora o pacto não altere a legislação, ele cria um ambiente de maior cooperação institucional e favorece a construção de regras mais convergentes para o desenvolvimento do mercado.
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Gás pode impulsionar a industrialização: Félix defendeu que a disponibilidade de gás natural competitivo poderá se tornar o principal diferencial de Sergipe para atrair novos empreendimentos industriais, especialmente após a reforma tributária. Segundo ele, o objetivo deve ser utilizar o gás como vetor de desenvolvimento econômico, atraindo setores como fertilizantes, cerâmica e outras indústrias intensivas em energia, em vez de apenas servir como corredor de escoamento do combustível.
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Liderança institucional de Sergipe: O presidente da Abpip destacou que a assinatura do pacto em Aracaju reforça o protagonismo do estado na agenda nacional do gás. Ele citou a adesão inicial de Sergipe, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul ao acordo e elogiou o ambiente de cooperação entre governo estadual, reguladores e setor produtivo. Para Félix, a capacidade de articulação institucional e o alinhamento entre os diferentes atores explicam a posição de liderança que Sergipe passou a ocupar no setor energético brasileiro.
Assista à entrevista na íntegra aqui.



