Revista Brasil Energia | Sergipe Oil & Gas 2026

Presidente do IBP defende estabilidade regulatória e equilíbrio fiscal no setor

Roberto Ardenghy afirma que Sergipe reúne potencial para se tornar um dos principais polos de gás do país, mas alerta que previsibilidade regulatória é decisiva para atrair investimentos de longo prazo

Por Rosely Maximo

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O projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP) tem potencial para transformar o estado em um dos maiores polos produtores de gás natural do país, mas a concretização desse novo ciclo depende da manutenção de um ambiente regulatório estável e previsível. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy, em entrevista à Brasil Energia.

Segundo o executivo, o Brasil reúne uma das melhores geologias do mundo para a exploração de petróleo e gás, mas os investimentos necessários para desenvolver novos projetos exigem horizonte de longo prazo e segurança jurídica. Para ele, iniciativas que aumentem a carga tributária ou criem incertezas regulatórias podem comprometer decisões de investimento que produzem resultados apenas muitos anos depois.

Veja os principais destaques:

  • SEAP inaugura um novo ciclo para Sergipe: Ardenghy afirmou que Sergipe reúne uma trajetória histórica importante para a indústria de petróleo brasileira, desde o desenvolvimento do campo terrestre de Carmópolis até os projetos offshore iniciados em Guaricema. Agora, segundo ele, o estado entra em uma nova etapa com o Sergipe Águas Profundas, projeto que deverá elevar significativamente a produção de petróleo e, principalmente, de gás natural. O executivo destacou que a produção de gás deverá passar dos atuais cerca de 650 mil metros cúbicos por dia para aproximadamente 22 milhões de metros cúbicos diários, enquanto a produção de petróleo poderá saltar de cerca de 12 mil para 240 mil barris por dia.

  • Estabilidade regulatória é condição para investir: Na avaliação do presidente do IBP, projetos dessa magnitude exigem previsibilidade regulatória durante todo o seu ciclo de desenvolvimento. Ele criticou medidas que elevem a carga tributária ou aumentem custos para a indústria, como propostas de imposto sobre exportações e taxas estaduais de fiscalização, afirmando que esse tipo de incerteza dificulta decisões de investimento de longo prazo. Segundo Ardenghy, empreendimentos no setor levam entre oito e dez anos para entrar em produção, tornando a estabilidade institucional um fator decisivo para a competitividade do país.

  • Mercado de gás exige infraestrutura integrada: Ao comentar o crescimento esperado da produção de gás em Sergipe, Ardenghy ressaltou que o desenvolvimento desse mercado depende da expansão da infraestrutura de transporte. Ele lembrou que o gás natural é uma "indústria de rede", na qual toda a cadeia — produção, processamento, transporte e consumo — precisa funcionar de forma integrada para viabilizar economicamente os projetos. No caso do Seap, destacou que o gás será tratado ainda nas plataformas, mas ressaltou que serão necessários investimentos bilionários em gasodutos e demais instalações para conectar a produção aos mercados consumidores.

  • Brasil continua competitivo na exploração: Apesar dos desafios, Ardenghy afirmou que o Brasil permanece entre os mercados mais atrativos para investimentos em petróleo e gás graças ao elevado potencial geológico. Segundo ele, poucos países possuem recursos naturais comparáveis aos brasileiros, mas transformar esse potencial em produção depende de um ambiente favorável aos investimentos. O executivo lembrou que a atividade exploratória envolve riscos elevados: de cada dez poços perfurados, apenas dois resultam em descobertas comerciais de petróleo ou gás, o que reforça a necessidade de regras estáveis e proteção aos investimentos.

  • Setor pode ampliar empregos e investimentos: Para o presidente do IBP, o Brasil continuará atraindo grandes empresas internacionais interessadas em desenvolver novos projetos de exploração e produção. Ele concluiu que cabe ao país preservar um ambiente de negócios competitivo para aproveitar esse interesse, ampliar os investimentos e gerar empregos ao longo de toda a cadeia de petróleo e gás.

Assista à entrevista na íntegra aqui.

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