Revista Brasil Energia | Sergipe Oil & Gas 2026

Sergipe busca ampliar consumo local de gás e atrair novas indústrias

Estado prepara medidas para reduzir custos de transporte, ampliar a demanda pelo gás de Sergipe Águas Profundas e atrair projetos industriais e de infraestrutura.

Por Rosely Maximo

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O governo de Sergipe trabalha para ampliar o consumo local do gás natural que será produzido no projeto Sergipe Águas Profundas (Seap) e transformar a nova oferta em investimentos, empregos e atividade industrial. Em entrevista à Brasil Energia, durante o Sergipe Oil & Gas 2026, o secretário-executivo da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), Marcelo Menezes, detalhou as iniciativas relacionadas à distribuição e ao transporte de gás, à atração de consumidores intensivos, ao descomissionamento de plataformas e à regulação do mercado.

Entre as medidas em andamento estão a revisão da estrutura da Sergas, após o estado assumir o controle integral da distribuidora, a negociação de alternativas para reduzir o custo de transporte do gás consumido em Sergipe e a criação de um distrito industrial próximo ao ponto de chegada do combustível. Menezes também abordou projetos como a possível expansão da Fafen, a produção de potássio offshore, a instalação de data centers e o desenvolvimento de bases de apoio para as atividades offshore.

Veja os principais destaques:

  • Consumo local do gás de Sergipe Águas Profundas: Segundo Menezes, o principal objetivo do governo é evitar que Sergipe seja apenas um ponto de passagem do gás produzido no Seap. O projeto deverá produzir cerca de 240 mil barris de petróleo por dia e escoar aproximadamente 18 milhões de m³/dia de gás natural. Como o volume supera a demanda atual do estado, parte do gás será destinada a outros mercados. A estratégia do governo, no entanto, é criar condições para que uma parcela do volume seja consumida em Sergipe, por meio da atração de indústrias e da ampliação da demanda dos empreendimentos já instalados. O objetivo é obter resultados econômicos além da arrecadação de royalties, com investimentos em infraestrutura, geração de empregos e instalação de empresas com atuação permanente no estado.

  • Sergas passa ao controle integral do estado: O governo de Sergipe concluiu recentemente a compra das participações privadas da Sergas e passou a deter 100% da distribuidora estadual. Segundo Menezes, o processo começou com a contratação de um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre o mercado de gás em Sergipe e avançou com discussões sobre o contrato de concessão da empresa. Com o controle integral da distribuidora, o estado contratou a FGV Energia para desenvolver uma nova modelagem da companhia. O trabalho inclui a revisão do contrato de concessão, da regulação estadual e de pontos que não avançaram enquanto a empresa tinha acionistas privados.

  • Estado busca reduzir custo de transporte: Outra frente é a redução do custo de transporte para consumidores instalados em Sergipe. O governo apresentou à ANP uma proposta de tarifa de curta distância, conhecida como short haul. A medida permitiria a aplicação de uma tarifa diferenciada para o gás produzido e consumido no mesmo estado, em substituição ao modelo de tarifa postal atualmente utilizado no transporte. O tema está na agenda regulatória da ANP, mas ainda não foi deliberado. Paralelamente, o governo discute com a TAG e a agência a criação de uma estação de movimentação de gás no ponto de chegada do sistema de escoamento, antes da entrada do combustível na malha de transporte. A proposta é permitir que consumidores conectados diretamente a essa infraestrutura tenham custos menores. O estado avalia instalar, no entorno do ponto de chegada, um distrito industrial voltado a empresas de consumo intensivo de gás.

  • Preço limita expansão da demanda: Menezes afirmou que o preço do gás ainda é uma das principais barreiras à expansão do mercado consumidor. Sergipe distribuiu cerca de 300 mil m³/dia em dezembro de 2025 e conta com aproximadamente 63 consumidores industriais. Algumas empresas conectadas à rede da Sergas, no entanto, utilizam lenha ou outros combustíveis devido ao custo do gás. Segundo o secretário, parte dessas indústrias volta a consumir gás quando há ofertas com preços reduzidos na plataforma de balanceamento da TAG, no chamado mercado de gás de oportunidade. A redução estrutural dos preços poderia elevar o consumo das empresas que já possuem conexão, sem necessidade de novos investimentos em expansão da rede.

  • Projetos podem elevar consumo de gás: Além da demanda existente, o governo trabalha para atrair novos consumidores e viabilizar projetos com potencial de ampliar o mercado. Entre as possibilidades estão a duplicação da capacidade da Fafen, anunciada como uma alternativa em avaliação pela Petrobras, e um projeto de produção de potássio offshore que utilizaria gás no processo de secagem. O estado também avalia a atração de data centers que possam utilizar geração termelétrica para garantir o fornecimento contínuo de energia. Segundo Menezes, o governo não definiu uma meta específica de consumo, mas pretende absorver o maior volume possível da produção do Seap.

  • Progás deve tratar gargalos do mercado: O secretário também comentou a elaboração do projeto conhecido como Progás, que deverá propor mudanças para ampliar os resultados da Nova Lei do Gás. Menezes participou da organização do livro sobre os cinco anos da legislação, elaborado com a FGV Energia a partir de contribuições de 66 representantes de empresas, governos, agências e entidades do setor. O trabalho apresenta um histórico da tramitação da lei, uma avaliação da evolução do mercado e propostas para enfrentar gargalos ainda existentes. Entre os temas em discussão estão a revisão tarifária das transportadoras, o acesso às infraestruturas e mecanismos de gas release. Parte dessas questões já integra a agenda regulatória da ANP e poderá ser incorporada ao Progás caso exija alteração legislativa.

  • Descomissionamento amplia demanda por infraestrutura: O descomissionamento das plataformas de águas rasas também integra a estratégia do governo para atrair empresas e investimentos. Sergipe contratou estudos da FGV Energia sobre o mercado de descomissionamento e sobre a implantação de bases de apoio offshore. As estruturas poderão atender tanto à retirada das unidades antigas quanto às operações do projeto Sergipe Águas Profundas. Empresas avaliam a recuperação de antigos estaleiros e a utilização de áreas como o Terminal Marítimo Inácio Barbosa, na Barra dos Coqueiros. O governo também acompanha projetos para novas instalações e mantém contato com empresas que já atuam em descomissionamento, construção naval e apoio portuário em outros estados.

  • Harmonização regulatória: Menezes afirmou que a adesão de Sergipe ao pacto de harmonização regulatória ocorreu sem divergências relevantes, devido ao alinhamento já existente entre a agência estadual, a ANP e o Ministério de Minas e Energia. Com o controle integral da Sergas, o governo pretende realizar novas alterações regulatórias, reduzir exigências e facilitar a entrada de empresas. A estratégia, segundo o secretário, é oferecer segurança jurídica e condições para que Sergipe dispute investimentos ligados à nova produção de petróleo e gás.


Assista à entrevista na íntegra aqui.

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