Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

DNV defende gestão de risco para descomissionamento no Brasil

Tobias Alvarenga, gerente de mercado da empresa para América Latina, analisa a maturidade da cadeia de desmantelamento offshore, o equilíbrio econômico no fim de vida útil e paralelos de segurança ambiental entre a Margem Equatorial e o Mar do Norte

Por Gilberto Lima

Compartilhe Facebook Instagram Twitter Linkedin Whatsapp

Diante da projeção de investimentos bilionários em descomissionamento de ativos de óleo e gás nos próximos anos, a indústria brasileira enfrenta o desafio de estruturar uma cadeia logística e de fornecedores perene para evitar gargalos operacionais e impactos financeiros severos. A atividade, tradicionalmente postergada até o limite de viabilidade dos campos maduros, exige planejamento integrado desde as fases iniciais de projeto de engenharia.

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o gerente de mercado da DNV para a América Latina, Tobias Alvarenga, destacou que o desmantelamento seguro e custo-eficiente depende de equilíbrio entre dados técnicos, regulamentação e mitigação de incertezas. O executivo traçou paralelos com a experiência internacional da classificadora e certificadora na Europa, apontando que o rigor aplicado na gestão de risco e no monitoramento de biodiversidade no Mar do Norte serve como referência técnica para viabilizar operações em novas fronteiras ecologicamente sensíveis, como a Margem Equatorial brasileira.

Veja os principais destaques da entrevista:

Planejamento ao longo do ciclo de vida

O descomissionamento não deve ser tratado como uma decisão de última hora no fim da vida produtiva. A DNV atua desde as fases de concepção e operação para gerenciar a integridade dos ativos, orientando se a melhor alternativa é o desmantelamento definitivo ou a transferência da concessão para novos operadores especializados em revitalização.

Estruturação sustentável da cadeia nacional

O crescimento do volume de projetos mapeados pela ANP impõe riscos caso a cadeia local de estaleiros, portos e logística não consiga sustentar uma demanda contínua. É necessária uma avaliação independente para calibrar a capacidade dos fornecedores e garantir operações seguras sem sobrecustos aos operadores.

Disparidade no nível de conhecimento das operadoras

O mercado apresenta diferentes graus de preparo, variando entre grandes petroleiras experientes e empresas de menor porte que assumiram ativos maduros e ainda desenvolvem governança para lidar com passivos de abandono.

Paralelos entre Margem Equatorial e Mar do Norte

Embora apresentem condições oceanográficas e térmicas distintas, ambas as regiões compartilham alta sensibilidade ecológica e exigência de tolerância mínima a falhas. A experiência europeia demonstra que a coleta contínua de dados de base (baseline) e o monitoramento ambiental permanente viabilizam a exploração responsável dentro de níveis de risco aceitáveis.

Debate sobre remoção total versus recifes artificiais

Alvarenga ponderou que a decisão entre a retirada completa de estruturas submarinas e a permanência parcial de componentes deve ser pautada em dados científicos, considerando ecossistemas marinhos que se adaptam e proliferam ao redor de jaquetas e equipamentos submersos.

Pressão social e risco reputacional

O amadurecimento simultâneo de diversos campos pioneiros eleva a vigilância de órgãos reguladores e da sociedade civil. Falhas operacionais em fases de abandono geram prejuízos de imagem e financeiros imediatos, o que tem acelerado a autorregulação e a adoção de padrões internacionais de auditoria pelas companhias.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

Veja outras notícias sobre rog.e 2026

Últimas