FS quer começar operar planta de BECCS ainda este ano
FS quer começar operar planta de BECCS ainda este ano
Empresa investiu R$ 552 milhões no projeto e já vendeu cerca de 50 mil créditos de carbono
A FS Fueling Sustainability planeja começar a operação de sua planta pioneira de Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS) ainda este ano. Em entrevista à Brasil Energia na ROG.e 2026, o gerente sênior de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS) da empresa, Quemuel Mendes, afirmou que a expectativa é que a construção do empreendimento seja finalizada ainda este mês. Entretanto, a companhia ainda aguarda o aval da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“A gente vem trabalhando com a ANP, para tentar obter a licença o mais rápido possível. (...) Estamos trabalhando junto com a agência para responder todas as perguntas que eles têm, visto que a gente não tem uma regulamentação infralegal, pelo menos até agora. E eles estão trabalhando nisso, usando a experiência que eles estão tendo no nosso projeto para fazer isso.”
O investimento total do empreendimento foi de R$ 552 milhões, sendo R$ 180 milhões financiados pela Finep, sustentando a parte de pesquisa e desenvolvimento do projeto, enquanto o restante veio de uma linha com o BNDES, a fim de financiar a construção.
Segundo Quemuel, a FS já vendeu, aproximadamente, 50 mil créditos de carbono, relativos ao primeiro período de injeção, estimado para 2026 e 2027. “Ainda é longe do que a gente gostaria, mas são sinalizações de que o mercado pensa: ‘Estamos olhando para o projeto’”. Cada certificado é comercializado por US$ 150.
A tecnologia BECCS consiste em capturar o gás carbônico gerado durante o processo de fermentação de plantas, neste caso, do milho usado na usina de etanol da companhia em Lucas do Rio Verde, MT. A partir disso, o CO₂ é comprimido, desidratado e injetado em um reservatório subterrâneo.
No total, a planta deverá ter capacidade de estocar 423 mil toneladas de CO₂ biogênico por ano.
Desafios regulatórios e de demanda
Para Quemuel, pontos na regulação brasileira sobre o mercado de carbono podem estar limitando a escalada do consumo.
Em julho deste ano, o governo federal lançou para consulta pública uma proposta de resolução que limita em 50% as vendas de créditos de carbono ao exterior por projeto. Isso porque o executivo busca restringir este comércio a fim de cumprir a meta de redução de emissões estabelecida pelo Acordo de Paris.
Quando o crédito é vendido a uma empresa de outro país, passa a ser conhecido tecnicamente como ITMOs (Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente, em inglês). A partir disso, essa redução é excluída da meta brasileira devido ao ajuste correspondente, que evita que o mesmo crédito seja contabilizado duas vezes.
“Isso atrapalha muito o meu projeto. A viabilidade econômica fica muito comprometida, porque a gente tem comercializado nossos créditos a US$ 150 por tonelada. A gente não vê o mercado brasileiro pagando mais que US$ 25 por tonelada. Se eu for obrigado a manter 50% dos meus créditos dentro do mercado brasileiro, eu estou muito longe de um patamar onde eu conseguiria rentabilizar o projeto. O que a gente entende que isso vai causar? Vai desincentivar outras empresas de fazerem projetos similares”, critica Quemuel.
O gerente da FS defende também que o estabelecimento de um mandato mais rígido para a redução de emissões e consumo de combustíveis verdes pode auxiliar na escalada da demanda. Para ele, é necessário um aceno do governo nesta direção, para que as empresas que entrariam no mercado como consumidoras passem a aumentar essa demanda e que as companhias capturadoras do carbono investissem em mais projetos.
“Eu tenho outras quatro usinas onde eu adoraria fazer outros projetos (de CCS), mas eu também não vou movimentar capital nessa direção se eu não sentir que o mercado está absorvendo isso”, completa.
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