Gerdau estuda construir unidade especial para reciclagem de embarcações

Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Gerdau estuda construir unidade especial para reciclagem de embarcações

Descomissionamento é um dos mercados com maior potencial de geração de sucata, aponta André Guardín, gerente de compras da empresa

Por Isa Morena

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Plataforma P-32 antes de ser desmantelada pela Gerda. (Fonte: Divulgação Gerdau)

A Gerdau estuda lançar uma unidade especializada em reciclagem de embarcações. A informação foi dada pelo gerente de compras da empresa, André Guardín, em painel da ROG.e nesta segunda-feira.

O trabalho, que engloba vários pontos específicos, incluindo engenharia, está em curso junto com a Porto do Açu.

Segundo Guardín, o estudo nasceu após o desmantelamento da plataforma P-32 da Petrobras, que durou 12 meses e gerou 44 mil toneladas de sucata para a empresa. A plataforma foi vendida em 2023 para a Gerdau, em parceria com o Grupo Ecovix, operador do estaleiro Rio Grande (RS). 

Gerente aponta que há espaço para um consumo ainda maior:

“Falando do ponto de vista da Gerdau, 70% daquilo que a gente produz é à base de sucata, então é uma empresa que tem uma capacidade de consumo muito grande no Brasil. Outro número que eu acho que é relevante: se você pegar a nossa unidade do Rio de Janeiro, ela consome um FPSO Capixaba por mês de sucata”. O navio-plataforma, para efeitos de dimensão, tinha cerca de 337 metros de comprimento.

Guardín afirma que o desmantelamento de p-32 evidenciou a necessidade de se haverem empresas e locais que atuam de forma específica para a atividade. De acordo com ele, a Gerdau teve de desenvolver diversos serviços e parceiros durante o processo, a fim de aperfeiçoá-lo e entregar o trabalho no prazo acordado.

“A cadeia é muito maior do que só a sucata. Há uma série de serviços atrelados à execução da reciclagem de uma unidade desse tamanho. Estamos acostumados a falar de sucata, de reciclagem, mas a reciclagem de um ativo como esse é muito mais complexa. Isso fez a gente ter que desenvolver uma cadeia de prestadores de serviço que praticamente não existia.”

O desmantelamento da P-32, segundo Guardín, trouxe à luz o papel principal da Gerdau na cadeia de descomissionamento, o de consumidor efetivo da sucata reciclada no processo.

Agora, a empresa foca no descomissionamento da plataforma P-33 da Petrobras, que chegou ao estaleiro Rio Grande no mês passado. Para Guardín, não há outro mercado com “um potencial de geração tão grande” de sucata quanto o descomissionamento nos próximos anos.

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