PPSA detalha leilões de gás e óleo e gerencia volatilidade do Brent
Luis Fernando Paroli explica a oferta de gás processado da União, a aceleração de receitas na partilha e a estratégia de leilões spot diante das oscilações geopolíticas e de frete
A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) prepara os detalhes para a realização do primeiro leilão de gás natural da União, com oferta estimada em 1,1 milhão de m³/dia de gás processado voltado preferencialmente à indústria de base nacional. A estatal aguarda a publicação da portaria definitiva pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para divulgar o pré-edital e abrir consulta pública ao mercado, com o objetivo de concluir o certame a tempo da janela contratual de suprimento das indústrias (N.R.: A portaria foi publicada pouco depois da entrevista).
Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o diretor-presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, afirmou que o preço inicial de partida no leilão de gás ficará em torno de US$ 5 por milhão de BTU, atrelado a uma fórmula paramétrica indexada a indicadores de mercado. O executivo também detalhou o calendário de leilões de óleo da partilha, a antecipação de gatilhos de pagamento de investimentos (Capex) em campos gigantes como Mero e Búzios e a preferência por certames de curto prazo (spot) para mitigar os impactos da volatilidade internacional do petróleo tipo Brent e do frete marítimo.
Veja os principais destaques da entrevista:
Primeiro leilão de gás da União
O certame colocará no mercado um volume de 1,1 milhão de m³/dia exclusivamente de gás processado, sem incluir a fração de líquidos associados. A oferta atenderá às diretrizes do CNPE com destinação preferencial à indústria de base, com divisão em lotes para estimular a competitividade entre compradores e comercializadores.
Preço de partida e indexação contratual
A precificação inicial de referência partirá de patamares próximos a US$ 5 por milhão de BTU. A remuneração final será calculada por fórmula paramétrica associada a indicadores como Brent ou Henry Hub, absorvendo flutuações usuais do mercado de energia.
Janela regulatória e contratação industrial
A PPSA prevê disponibilizar o pré-edital imediatamente após a publicação da portaria pelo MME. O objetivo é concluir as etapas de consulta e leilão até o último bimestre do ano, período em que as indústrias tradicionalmente fecham seus contratos de fornecimento para o ano seguinte.
Gestão da volatilidade e preferência por leilões spot
Diante de incertezas geopolíticas no exterior e do encarecimento do frete marítimo internacional, contratos anuais rígidos levariam os compradores a embutir elevados descontos de risco nas propostas (bids). Por essa razão, a PPSA adotou fracionamentos e certames spot, incluindo leilão de cerca de 6 milhões de barris com cargas de Búzios e Bacalhau, além de nova rodada prevista para novembro.
Aceleração de receitas e quitação de Capex
A valorização do Brent nos últimos períodos acelerou o pagamento dos investimentos de capital dos consórcios da partilha, antecipando o aumento da fatia de óleo-lucro da União em grandes ativos do pré-sal (como Mero e Búzios) antes das previsões originais de 2027/2028. No exercício anterior, a arrecadação transferida pela estatal aos cofres públicos atingiu cerca de R$ 30 bilhões.
Oferta Permanente de Partilha da ANP
A empresa expressou otimismo quanto à 4ª rodada da Oferta Permanente de Partilha de Produção, que conta com 13 blocos indicados. A PPSA atribuiu o interesse das petroleiras à evolução dos modelos sísmicos e geológicos e à realização de roadshows técnicos internacionais para demonstrar o potencial exploratório das áreas.
Papel de parceiro estratégico
Paroli ressaltou que a PPSA atua junto às operadoras privadas (como Shell em Gato do Mato/Orca e Equinor em Bacalhau) como agente colaborativo nos planos de desenvolvimento, licenciamentos e aprovação de conteúdo local, trabalhando de forma conjunta para maximizar a eficiência dos projetos.
Veja a entrevista na íntegra aqui.
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