Retomada da atratividade dos investimentos em O&G

Retomada da atratividade dos investimentos em O&G

Como para os bancos importa manter o papel em carteira por longos períodos de tempo, as oscilações importam somente para agentes que atuam no mercado secundário, não impactando a decisão de bancos de ofertar capital

Por Osmani Pontes

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Nos últimos meses os mercados financeiros globais vem desdobrando sua atenção aos eventos que tem afetado os mercados de óleo e gás. Afinal, os fenômenos e eventos ocorridos nessa indústria sempre geravam as principais fontes de variação de inflação, dólar global e juros dos bancos centrais.

Passado o impacto inicial, na medida em que os agentes econômicos incorporaram os choques nas expectativas, o próprio setor experimenta agora uma nova janela de oportunidade a ser explorada. Neste final de 2026, a sensação entre os investidores é a de que há maior atração de investimentos para a indústria, sinalizando uma possível normalização dos ciclos de negócios.

O contexto é de maior liquidez global, com aumento da oferta de crédito e capital dos bancos em busca de estabilidade, com maiores retornos esperados a longo prazo e redução do risco no setor. Pode-se argumentar que há duas causas na raiz dessa mudança de quadro. Uma causa estrutural e uma causa conjuntural.

No aspecto estrutural, parece haver a consolidação do processo de "seleção natural" dos investidores no mercado. Durante a última década, notadamente do fim do último grande boom de petróleo até os choques da pandemia e das guerras na Ucrânia e no Irã, o setor experimentou um afastamento de investidores que, do pós crise de 2008 até o boom da virada da década de 2000/2010, entraram buscando retornos especulativos e de curto prazo.

Essa não é uma característica do mercado de óleo e gás, marcado por longos períodos de maturação do investimento e riscos elevados. O resultado disto foi alguma distorção no mercado que recentemente verificou até posições em busca de hedge (proteção a algum evento adverso), o que definitivamente não é a natureza dos negócios em óleo e gás.

Conforme essa distorção foi sendo corrigida e esse investidor afastado, o perfil médio voltou a ser predominantemente o do agente em busca de retornos de longo prazo sujeitos a riscos elevados. Esse fenômeno foi bastante forte em economias exportadoras, notadamente o Brasil.

Com o investidor típico permanecendo, aumentam as condições de quantificar risco, retorno e a rentabilidade do negócio. Aumenta também a capacidade do preço em refletir a real dinâmica do mercado.

Já no aspecto conjuntural um fenômeno pode explicar a volta da atratividade do investimento em petróleo. Do começo de 2026 até o final do terceiro trimestre, tanto os preços dos barris físicos de petróleo quanto os contratos futuros apresentavam forte instabilidade e volatilidade. A incerteza trazia duras entraves à boa formação de expectativas.

No entanto, a percepção mudou e o mercado entendeu que os prêmios de risco não se sustentariam por longos períodos de tempo, já que:

  1. haveria menor tomada de risco e

  2. os juros dos bancos centrais se tornaram mais previsíveis justamente como efeito da alta incerteza.

Assim, os bancos conseguem depurar no preço o que é tendência e o que é apenas ciclo. Conseguem também medir a rentabilidade do investimento de longo prazo para as companhias produtoras e consequentemente suas capacidades de pagamento.

O que se viu foi do final de setembro para cá, a redução ainda que gradual dos preços dos contratos futuros de petróleo com a queima dos prêmios de risco, apesar da manutenção dos preços elevados no mercado físico.

Esse comportamento não se explica pela dinâmica de mercado. Afinal, as exportações de óleo do Oriente Médio já retornaram aos níveis de final de 2025 com aumento para 23 milhões de barris por dia, sendo 11,6 milhões de barris por dia na Arábia Saudita.

Os fundamentos do preço físico mais alto e de eventual interrupção da velocidade de ajuste no preço futuro são o risco duplo de queda na oferta global decorrente de obstruções houthis no estreito de Bab al-Mandab e também os estoques globais em mínimas históricas (quando se exclui os estoques comerciais da OCDE), exigindo maior necessidade de recomposição.

No entanto, os bancos não observam esses fundamentos já que podem reter os papéis das empresas de petróleo em carteira e adicionar ao mercado quando os investidores estiverem com maior apetite embolsando o diferencial de preço.

Como para os bancos importa manter o papel em carteira por longos períodos de tempo, as oscilações importam somente para agentes que atuam no mercado secundário, não impactando a decisão de bancos de ofertar capital.

Desse modo, estendendo o horizonte de observação conclui-se que a retomada do interesse do setor bancário global na indústria de óleo e gás, que esbanjou força na esteira do enfraquecimento político da agenda ESG em 2024, mas sofreu impactos adversos ao longo de 2025 e 2026, parece caminhar para a retomada do processo de expansão de liquidez.

As expectativas já foram absorvidas e o mercado já selecionou os participantes convergindo para um perfil típico e qualificado de atuação no setor.

 

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