Revista Brasil Energia | Fenabio 2026

Atvos quer dobrar fatia de etanol destinada à exportação

Produtora prepara entrada no etanol de milho e mira elevar de 10% para 20% a parcela vendida ao exterior

Por Marcelo Furtado

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A entrada no milho ocorrerá na Unidade Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul, no MS (Foto: Divulgação Atvos)

A Atvos pretende dobrar, no curto prazo, a parcela de sua produção de etanol destinada ao exterior, dos atuais 10% para 20%, em uma estratégia que será acompanhada pela diversificação da produção, hoje concentrada na cana-de-açúcar, com a entrada no etanol de milho.

O plano foi detalhado por Amaro Silvares, diretor de Estratégia e Negócios Agrícolas da companhia, durante a Fenabio 2026, em Sertãozinho (SP). Segundo ele, as exportações têm proporcionado margens superiores às vendas no mercado doméstico.

Uma das maiores produtoras de biocombustíveis do país, a Atvos opera oito unidades agroindustriais e tem capacidade instalada para produzir 3,3 bilhões de litros de etanol por safra. A entrada no milho ocorrerá na Unidade Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul (MS), onde a companhia anunciou em maio investimento de R$ 1,2 bilhão. A nova planta terá capacidade para processar 642 mil toneladas de milho e produzir 273 milhões de litros de etanol por ano, além de 183 mil toneladas de DDG e 13 mil toneladas de óleo de milho.

Silvares afirmou que a Atvos vê milho e cana como complementares. Além de permitir produção durante todo o ano e maior utilização dos ativos, a integração ajuda a solucionar um dos gargalos das destilarias de milho: a energia. Em Santa Luzia, o bagaço da cana será queimado na caldeira para abastecer a nova planta. “Usamos o bagaço, queima na caldeira, alimenta a energia da planta de etanol de milho. Simples assim”, disse.

O complexo contará ainda com a primeira planta de biometano da Atvos, que recebe investimento superior a R$ 350 milhões e terá capacidade de cerca de 28 milhões de m³ por safra. Silvares afirmou que a operação deverá começar em maio de 2027 e ajudará a substituir diesel nas atividades da companhia.

O aumento da produção também dará suporte à expansão internacional. A Atvos não pretende instalar unidades no exterior. “Resposta curta e direta: não”, disse Silvares ao ser questionado sobre essa possibilidade. Segundo ele, a estratégia é preservar no Brasil a operação agroindustrial integrada entre fazendas, cana, milho e biometano e ampliar as vendas externas.

A companhia já abriu espaços de negociação de etanol de cana com Japão, Coreia, Tailândia e China, além de países da África e do Oriente Médio. Seu relatório anual aponta o Sul Global como região estratégica e informa intensidade de carbono de 15,9 gCO₂/MJ para o produto.

A estratégia inclui ampliar a oferta de tipos específicos de etanol para exportação, inclusive para aplicações industriais. “A gente tem a ambição de chegar a 20% no curto prazo”, afirmou Silvares. Segundo o executivo, a maior exposição internacional também acompanha o reconhecimento das vantagens ambientais do etanol brasileiro.

A Atvos também obteve para suas oito unidades as certificações ISCC EU, ISCC Plus, ISCC CORSIA e CORSIA Plus. As duas primeiras habilitam exportações de etanol e derivados para mercados como União Europeia e Ásia, enquanto as certificações CORSIA qualificam o produto para comercialização destinada à produção de SAF.

A ampliação da oferta também ocorre de olho em novas demandas para o etanol. Silvares citou o SAF e os combustíveis marítimos entre os mercados que podem exigir produção adicional e reforçou que o milho permitirá elevar a disponibilidade do biocombustível. A própria Atvos desenvolve um projeto para uma planta de SAF pela rota ethanol-to-jet (EtJ), que converterá etanol em combustível sustentável de aviação. Segundo a companhia, os estudos avançaram na última safra nos aspectos técnicos e estratégicos do empreendimento.

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