Necta planeja hub para levar biometano à rede em Marília
Projeto será piloto de estratégia para ampliar escoamento do combustível renovável no interior paulista
A Necta planeja instalar em Marília (SP) seu primeiro hub para receber biometano transportado por caminhões e injetá-lo na rede de distribuição, em um modelo que poderá ser replicado em outros pontos de sua área de concessão. O projeto ainda está em fase de estudos, sem decisão de investimento ou cronograma, afirmou Rafael Gonzalez, gerente executivo de Estratégia e Suprimento de Gás da distribuidora, em entrevista à Brasil Energia.
A iniciativa integra a estratégia da Necta de transformar sua infraestrutura, hoje presente em cerca de 42 dos 375 municípios da concessão, em uma plataforma para escoar a crescente produção de biometano das usinas do interior paulista. A empresa estima que 135 unidades de sua área poderiam produzir cerca de 6 milhões de m³ por dia do combustível, ante um volume total de gás atualmente distribuído pela companhia da ordem de 800 mil m³/dia.
Em Marília, a primeira configuração prevê que o biometano chegue por caminhões até um ponto na extremidade da rede e seja dali injetado nos dutos. “Pode vir de qualquer lugar do mercado”, explicou Gonzalez. A Necta atuaria como distribuidora, sem necessidade de ser proprietária das plantas ou compradora da molécula.
“Temos uma expectativa de construir esse projeto, no entanto precisa de uma série de modelagens ainda”, disse. Segundo o executivo, a intenção é utilizar a experiência como piloto para outros hubs na concessão.
A companhia já opera dois projetos conectados à rede. Em Presidente Prudente, o sistema recebe biometano da Usina Cocal, em Narandiba, e abastece cerca de 3,5 mil consumidores residenciais, comerciais e industriais exclusivamente com o combustível renovável. O projeto, antes restrito a clientes industriais, foi ampliado para toda a cidade e deverá incluir também abastecimento veicular.
Outro projeto recebe biometano da Usina São Martinho, em Américo Brasiliense. A planta, conectada desde o fim de 2025, tem potencial de cerca de 70 mil m³/dia e injeta o combustível no subsistema que atende mercados como Araraquara e Ribeirão Preto. No dia do painel, segundo dado da área de operações citado por Gonzalez, o biometano representava aproximadamente 20% do gás que circulava nessa rede, percentual que varia conforme a demanda e a injeção.
A expansão também mira o transporte pesado. A Necta estima um mercado potencial para substituição do diesel por gás e biometano equivalente a 2,5 milhões de m³/dia até 2030, que poderia alcançar 5 milhões de m³/dia com incentivos como redução de IPVA e pedágios.
Para Gonzalez, ampliar a demanda é essencial para viabilizar novos projetos. “Somos uma distribuidora de gás que tem meta de vender caminhão”, afirmou. A lógica é estimular novas frotas a gás para criar mercado capaz de absorver a produção crescente de biometano.
Veja outras notícias sobre fenabio 2026



