Petrobras diz ter SAF para cumprir mandato inicial de 1%
Petrobras vê avanço no reconhecimento do SAF coprocessado e do LCAF, diz Carlos Marçal
A Petrobras já tem capacidade para atender o mandato inicial de 1% de redução das emissões da aviação com SAF produzido por coprocessamento e prepara outras três refinarias para ampliar a oferta do combustível. A informação foi dada à Brasil Energia por Carlos Marçal, gerente executivo da Gestão Integrada de Transição Energética (GITE) da companhia, após a regulamentação do programa federal de descarbonização da aviação.
Segundo Marçal, a Petrobras já opera uma unidade na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. “Nesse primeiro ano, a gente já tem produção de SAF via coprocessamento. A gente já tem uma unidade operando”, afirmou. “E já temos mais três unidades no pipeline prontas para adaptação.”
No coprocessamento, óleo vegetal refinado, como o de soja, é processado junto com a carga fóssil nas unidades da refinaria. A parcela renovável resulta em redução proporcional da intensidade de carbono do combustível. A Petrobras vinha defendendo que essa rota fosse reconhecida na regulamentação do programa, o que, segundo Marçal, ocorreu.
O executivo também destacou o reconhecimento do LCAF (Low Carbon Aviation Fuel), combustível de origem fóssil com intensidade de carbono inferior à convencional. Segundo ele, a redução pode decorrer tanto da produção de petróleo com menor emissão como da eletrificação e da captura de carbono nas refinarias. “Embora ainda seja fóssil, ele tem uma pegada de carbono muito mais baixa do que a média do mercado. Então é uma alternativa de curto prazo.”
A estratégia da Petrobras é usar o coprocessamento durante a fase inicial do mandato e, posteriormente, ampliar a oferta com plantas dedicadas. A primeira será instalada na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), utilizando a rota HEFA, que processa matérias-primas renováveis e poderá produzir SAF e diesel renovável (HVO). A companhia aprovou em junho investimento de cerca de US$ 1,2 bilhão no projeto, com capacidade de até 15 mil barris por dia e início de operação previsto para 2030.
Outra alternativa em avaliação é a produção de SAF a partir de etanol pela rota Alcohol-to-Jet (ATJ). O projeto está previsto para a Refinaria de Paulínia (Replan), mas ainda se encontra em estudo e não teve decisão de investimento. Marçal ressalta que a HEFA é uma tecnologia mais consolidada, enquanto o ATJ é mais recente. “A gente vem acompanhando a evolução. A que fizer mais sentido para a gente é a que vamos apostar.” A própria Petrobras registra a unidade ATJ da Replan em sua carteira de avaliação.
A entrada no etanol vai além do SAF. No Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras prevê US$ 13 bilhões para iniciativas relacionadas à transição energética e pretende avançar em etanol, biodiesel e biometano preferencialmente por meio de participações minoritárias ou controle compartilhado. Marçal disse que, entre os bioprodutos de primeira geração, a maior parcela dos investimentos previstos será direcionada ao etanol, sem preferência prévia entre cana e milho.
No transporte marítimo, a companhia já comercializa o Bunker VLS B24, mistura de 76% de bunker mineral e 24% de biodiesel, capaz de reduzir em cerca de 20% as emissões de gases de efeito estufa. Segundo Marçal, a Petrobras trabalha agora para evoluir para o B30, elevando para 30% a participação de biodiesel na mistura. Em uma frente de maior descarbonização, desenvolve com a dinamarquesa European Energy um projeto de e-metanol no Brasil.
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